Jan06

ARTIGO

Web 2.0: Que tipo de revolução esperamos?

8 comentários

Fala-se muito sobre a tal da Web 2.0, mas nem sempre tudo que corre por aí está correto. Para falar a verdade, a essência da nova Web está lá atrás, no começo da grande rede.

Muitas pessoas confundem a Web 2.0 com as tecnologias e tendências vigentes de desenvolvimento. Mas, na realidade, os serviços 2.0 são chamados assim devido a outros fatores. Antes de tentar entender o que é a Web 2.0, deve-se ter plena consciência de como foi criada e para que serve a Internet.

Um pouco de história

A Web foi criada para tornar mais fácil o compartilhamento de arquivos e informações. Tim Berners-Lee – o inventor da WWW – provavelmente não imaginava que o boom da Internet atingiria tanta gente, em todo o mundo.

Com o avanço da Web, ocorreram inúmeras mudanças na maneira com que as pessoas interagem com computadores e, ao mesmo tempo, novas tecnologias foram desenvolvidas para suprir e expandir cada vez mais todo o potencial da grande rede.

Apesar da devastadora crise no início do século XX, que levou à falência inúmeras empresas – conhecida por “estouro da bolha”, a Internet tornou-se importante tanto para o setor econômico quanto para a mídia.

Eis que Tim O’Reilly utilizou o termo Web 2.0 (no ano de 2004), conceitualizando-o desta maneira:

“Web 2.0 é a mudança para uma internet como plataforma, e um entendimento das regras para obter sucesso nesta nova plataforma. Entre outras, a regra mais importante é desenvolver aplicativos que aproveitem os efeitos de rede para se tornarem melhores quanto mais são usados pelas pessoas, aproveitando a inteligência coletiva”

A confusão

De 2004 para cá, nos tornamos testemunhas das mudanças que a Internet vêm sofrendo diariamente. Novas tecnologias, linguagens e tendências; começou-se a empregar com freqüência as Aplicações de Internet Ricas (RIA) com Flash, e depois com AJAX, com o objetivo de criar uma experiência com aplicativos Web semelhante a obtida com aplicativos desktop. Os novos serviços passaram a possuir um design típico, marcado por degradês e reflexos.

Este é o X da questão. Da confusão, aliás. O grande engano que muita gente comete é confundir estas características – amplamente aplicadas em serviços da Web 2.0 – com a Web 2.0 em si.

A essência da Web 2.0 é a mesma da Web de Tim Berners-Lee: compartilhar informações. O que muda é a maneira com que estas informações são tratadas e quem as faz. Um site não precisa ser feito em AJAX para ser 2.0, mas precisa atender uma série de critérios.

Isto é que é Web 2.0

A Web 2.0 é composta de sites que valorizam muito mais o conteúdo do que a aparência. Sim, o design é importante para um site, mas não é o mais relevante. Passamos por períodos onde os desenvolvedores preocupavam-se muito mais com a aparência do que com o conteúdo e com o código, utilizando artifícios como o spacer.gif e as tabelas para controle da apresentação da página. Os web standards vieram para resgatar a semântica do HTML, que foi perdida ao passar dos anos.

A Web 2.0 não refere-se somente ao código, mas também à qualidade do conteúdo disponibilizado e à maneira com que o usuário interage com ele. O termo Web 2.0 define a Internet como plataforma, mas o responsável pelo conteúdo é o próprio usuário.

A Web 2.0, resumindo, é uma mudança de ideologia que acarretou na mudança de tecnologia. O AJAX está em função do conteúdo, e não o contrário.

User-Generated Content (UGC)

O conteúdo gerado pelo usuário é a base dos serviços 2.0. Grandes exemplos são a Wikipedia, o Digg, e mesmo serviços como o Flickr e o MercadoLivre. Além do aumento no número de usuários de Internet, o desenvolvimento constante de novas tecnologias permitiu essa interação entre o usuário e os serviços com muito mais facilidade.

São fóruns, blogs, wikis, sites colaborativos, fotologs, e muito mais. Milhões de páginas novas a cada dia, sem depender exclusivamente de editores – o que garante diversidade de conteúdo nunca vista antes.

Folksonomia: o povo é quem dá nome aos bois

Folks significa povo. Nomia quer dizer nomear. Característica básica da Web 2.0, onde os usuários não só contribuem com conteúdo, mas também classificando a informação existente. A maneira mais popular de classificar conteúdo na Web é através de tags. As tags facilitam a indexação do conteúdo e fazem com que os mecanismos de indexação retornem pesquisas muito mais relevantes.

Jornalismo participativo

O Digg é um grande exemplo de jornalismo participativo. Milhões de usuários participam criando as notícias e então escolhendo as melhores, que aparecem na página inicial do serviço. A Web 2.0 marca a participação efetiva dos usuários, até então considerados apenas leitores, na edição e classificação do conteúdo online.

Internet como plataforma e as tecnologias

Tecnologias que permitem a comunicação assíncrona com o servidor, como o objeto XMLHttpRequest do JavaScript (que permite alterar informações em uma página sem recarregá-la), e diversos frameworks que tornam o desenvolvimento mais ágil e produtivo, têm transformado a Internet numa potencial plataforma para a execução de aplicativos.

Além disso, padrões como o XML e o RDF, especificados pela W3C, têm colaborado bastante para a troca de conteúdo entre serviços, plataformas e agentes de usuário. O RSS, padrão baseado em dialetos XML, tem ganhado muitos adeptos por levar o conteúdo diretamente ao usuário (técnica conhecida por push), sem que o usuário precise acessar o website para saber das atualizações.

Listão de serviços 2.0

Uma lista em português com os principais serviços 2.0 pode ser encontrada em http://lista2.0br.com.br. Lá você pode votar nos serviços, atribuindo uma nota de 1 a 5.

Lembre-se sempre

Por mais que a Web 2.0 marque o início da utilização de novas tecnologias, mantenha o foco do seu trabalho no conteúdo. Web 2.0 também é acessibilidade, usabilidade e código semântico.

8 comentários

  1. Gravatar
    Canha comentou em 06/01/2008 às 10:25 pm

    Cada artigo seu me surpreende!
    Falou da forma mais objetiva possível o que é Web 2.0. Agora toda vez que alguém me enxer o saco sobre isso, só vou pedir pra que acessem seu site. ausiehauise
    Abraços

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    Rodrigo Fante comentou em 07/01/2008 às 8:28 am

    Nao tem muito o que dizer, excelente artigo, parabéns, concordo totalmente

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    Tiago Floriano comentou em 07/01/2008 às 2:26 pm

    Sem comentários, perfeito teu post! Até eu fiquei mais esclarecido com ele. Parabéns!

    Um abraço!

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    Rafael Marin comentou em 07/01/2008 às 2:33 pm

    Não escrevo assim normalmente. Até eu fiquei meio surpreso. Era para ir pra uma revista on-line esse artigo, mas acabou que não rolou nada.
    :D

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    Rafael Marin comentou em 07/01/2008 às 2:33 pm

    Ah, eu tenho mais uns dois ou três artigos desse nível que pretendo publicar. Aguardem…

  6. Gravatar
    MaxUp Blog’s | » links for 2008-01-07 comentou em 07/01/2008 às 9:21 pm

    [...] Web 2.0: Que tipo de revolução esperamos? [...]

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    Daniel comentou em 14/01/2008 às 9:02 am

    Acertou na mosca com esse texto, muito bom mesmo!

  8. Gravatar
    carla dias lopes da cruz comentou em 02/07/2008 às 2:59 pm

    seu artigo me ajudou a cria um tema e um problema de pesquisa para minha prova final de metodologia cientifica da faculdade… e o melhor disso tudo é que tirei total!!!!

    seu artigo está mais do que perfeito!!!

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