Jun25

ARTIGO

O design e o Web designer

9 comentários

Muita, muita gente se considera Web designer. Utilizar um software, como o Fireworks, é fácil e acessível a qualquer um, mas infelizmente, meus amigos, não torna ninguém designer. Desenho também, é uma arte incrível, mas infelizmente também não é design. Alguém de vocês já teve a curiosidade de saber o que significa a palavra design? Design, segundo nosso dicionário, significa plano, planta, pattern, designação, dar forma e boa aparência, leiautar.

Como eu estou decidido que quero seguir na carreira de designer, já estou tomando providências. Trabalho com design e, mais do que isso, estudo design. Só acho ridículo - e confesso com vergonha que já fui assim - que muitos que se dizem designers não estudam e não se interessam pelo estudo do design e da arte.

A ferramenta não faz o designer

Você pode ser o ninja do Photoshop, saber tudo de Fireworks e Flash. Mas nada disso é válido se você não souber como utilizar essas ferramentas para tornar o seu design efetivo.

Design é função

É isso o que difere design de arte. Você faz um trabalho de arte, e ele pode ser tão subjetivo, tão abstrato, que ninguém pode entendê-lo. Seu design não pode ser assim. E arte só é design quando esta arte for aplicada. Você deve fazer com que o seu design - ou melhor, a mensagem que você quer passar - seja compreendido pelo seu público-alvo, pelo seu consumidor. Você faz design para vender seu produto ou idéia, não pela simples expressão do seu eu interior. O design Web possui técnicas que, quando bem dominadas, tornam seu serviço, site ou campanha na Web realmente funcional.

Claro, existe uma liberdade gigante na criação, e prova disso é a enorme variedade de peças distribuídas no mundo, mas perceba que os projetos de sucesso seguem algumas orientações básicas, entre elas o alinhamento racional, a escolha da boa tipografia e a harmonia de cores.

Web 2.0: uma nova abordagem ao design na Web

Por muitos anos, a abordagem que vigorou pelos então designers de Web foi o design centrado na utilização, na tarefa. Nesta abordagem, todo o design era focado nos objetivos e tarefas que envolviam um produto ou serviço on-line, sem preocupações com o que o usuário realmente precisava e conseguia utilizar. Com o estouro da bolha uma nova tendência se fortaleceu, e os novos serviços - chamados “2.0″ - seguiam (e ainda vêm seguindo) a abordagem do design centrado no usuário (UCD), que se preocupa diretamente com as limitações e capacidades do usuário final.

O design centrado no usuário foi um marco para o design da Web por dar o merecido valor ao usuário final. Nesta abordagem de design, os designers de Web não apenas projetam interfaces de acordo com o que consideram melhor para o usuário final, mas testam e avaliam a efetiva funcionalidade de suas telas. Isto ocorre pois os designers possuem experiências que divergem das do usuário final, o que influencia também na maneira com que fazem design para Web. Assim, o que é simples e intuitivo para eles pode não ser para o grande público.

São quatro os elementos principais do design centrado no usuário: visibilidade, acessibilidade, legibilidade e linguagem.

Visibilidade

A visibilidade ajuda o usuário a construir um modelo mental. O modelo mental ajuda o usuário a formar uma imagem sobre o funcionamento do seu serviço, e também prever os efeitos das suas ações. Eu já escrevi sobre isso. Seu site deve ter navegação clara, e o usuário deve saber exatamente onde está, para onde pode ir e por onde já passou.

Acessibilidade

Não são apenas os cegos e pessoas com dificuldades motoras que são o alvo da acessibilidade de um site. No design de interação, todos os usuário possuem suas particularidades e são, pois alvo da acessibilidade. Cada usuário possui - devido às experiências anteriores - um modelo mental de como sites geralmente funcionam. Esperam um logo no canto superior, navegação logo abaixo ou em barra lateral, e busca no canto superior direito.

Quando algum desses itens não está presente, o usuário pode se sentir desorientado. Assim, um projeto de design na Web, geralmente na forma de um site, deve manter sempre claras e visíveis as informações básicas que o usuário deve ter. Além disso, o conteúdo deve ser escrito de maneira a tornar fácil a leitura e escaneamento do texto, pois o usuário provavelmente não lerá o conteúdo todo para encontrar o que precisa.

Legibilidade

Nunca esqueça que o usuário está em seu site em busca de conteúdo, e que geralmente este se encontra em forma de texto. Tornar esse texto legível e escaneável, então, é o mínimo que você pode fazer. Lembre-se de dar preferência às fontes sem serifas, que são mais legíveis em monitores do que as serifadas, pois a resolução dos monitores é muito inferior à dos livros impressos. Além disso, a relação das cores do texto com a cor do fundo é importante para a legibilidade, pois se o texto for pouco contrastante fica difícil a leitura.

Linguagens

Algo que está escrito em todos os livros de usabilidade que já li: use terminologias comuns, não específicas e nem aquelas que fazem sentido apenas a um grupo específico. Ou seja, “marketês” pode não fazer sentido para a grande maioria. Além disso, se a sua empresa utiliza nomenclaturas internas (jargões) para produtos e seções do site que diferem do vocabulário esperado pelo usuário, pense novamente.

Por onde começo?

Resumindo: para ser um Web designer, você precisa estudar design. Se não souber nada de tipografia, teoria de cores, alinhamento e posicionamento, semiótica, estética e comportamento humano, você não está nem perto de ser um designer, quem dirá um Web designer. Li esses dias no Plurk alguém que disse “ainda bem que escolhi design, assim não preciso ler tanto”.

Muito pelo contrário, meus colegas. Leitura é essencial em qualquer área, o conhecimento é muito, e livros são uma ótima maneira de adquiri-lo. Se você freqüenta uma universidade, sua biblioteca deve ter bons títulos sobre o assunto.

Conclusão

As ferramentas não fazem um bom designer, e um Web designer não é um Web designer se não souber a teoria básica sobre design. Vejo que falta em muita gente a vontade de estudar e aprender design. Talento é importante e conta, mas se você tem talento e não possui técnica e teoria, você é uma pedra preciosa não lapidada. Estude, estude e estude, e você brilhará.

9 comentários

  1. Gravatar
    tuynter comentou em 25/06/2008 às 1:19 pm

    É isso é complicado, eu nunca estudei design, mas sempre dei “umas rabiscadas”, nesses tempos eu não era muito bom com as ferramentas, e achava que era isso que tava me limitando a ser um bom designer, comecei a treinar com vários tutorias pegar alguns livros em PDF e etc, hoje não sou limitado pelo software, qualquer efeito que eu vejo em algum site é só da uma analisada ver quais efeitos eu teria que combinar para criar, ou seja qualquer site que eu ver eu consigo fazer-lo idêndico, bom e isso não quer dizer nada eu só sei usar bem a ferramenta, agora se eu tento criar algo? Não sai nada, fica um verdadeiro lixo bem amador. O que me limita? Minha criatividade. E para conseguir ficar bom nisso só com muito estudo e muito treino, mas como essa não é minha área nem vou mais me meter a “desginer” :D

  2. Gravatar
    Jader Rubini comentou em 25/06/2008 às 9:01 pm

    Cara, você reuniu em um só post tudo o que eu penso sobre os pseudo-designers que chovem todos os dias por aí.

    Muita gente faz layout, escreve HTML e CSS e se enche pra dizer “eu sou designer”. Pergunte a ele o que é Gestalt ou o que foi/é Bauhaus…

  3. Gravatar
    Tales comentou em 25/06/2008 às 10:11 pm

    Ler é a coisa que eu mais faço e quando se trata da utilização de softwares apenas metade do meu tempo é gasto com os gráficos, a outra metade é dedicada aos editores de texto para os levantamentos e análises acerca dos projetos - e tão suada quanto a gráfica, diga-se de passagem, às vezes até mais. Basta reparar em qualquer entrevista com algum designer, geralmente atrás do ser humano existe uma extensa biblioteca, é tão importante no sentido conceitual quanto para eventuais referências.

    Pena que nem todo mundo pense dessa maneira. Eu acho ótimo quando esse tipo de informação é exposta assim, nem que seja apenas uma pessoa que se dá conta da realidade, já é alguma coisa…

  4. Gravatar
    Leandro Alonso comentou em 25/06/2008 às 10:52 pm

    “ainda bem que escolhi design, assim não preciso ler tanto”. Putz! É sério isso? Me fala quem é pra que eu possa passar longe!

    Levo o design como uma espécie de hobby, aliás, ele é bem mais do que isso, uma vez que aplico ele diariamente nos meus projetos.

    No mais, ótimo artigo Rafael!

  5. Gravatar
    Carlos comentou em 04/07/2008 às 7:14 pm

    Algumas pessoas gostam de usar as ferramentas, outras de criar a arte mas são péssimas com as ferramentas, alías nem se interessam pelo uso delas. Provavelmente o melhor seja unir as duas coisas: um bom designer com um bom usuário das ferramentas para criação de sites. Daí teríamos (talvez) uma dupla imbatível e um produto final muito bom.

  6. Gravatar
    Tiago Celestino comentou em 04/07/2008 às 11:14 pm

    Recentemente, tive até uma discussão com um amigo designer, que tentava me explicar que um ilustrador não seria um designer se ele não entende-se sobre design.

    Fiquei intrigado, mas com ajuda de algumas respostas no Twitter e terminando de ler esse artigo (já tem um tempão no GReader :D) concluir que para se um “web designer” tem que ir além de mexer na ferramenta, mas sim ir direto ao conceitual.

  7. Gravatar
    Cyntia comentou em 14/07/2008 às 11:00 pm

    Artigo Excelente!!! Estava meio perdida pela falta de criatividade…é sempre bom levar um puxão de orelha tão construtivo!!! Sem estudo nada feito. É isso aí!!!

  8. Gravatar
    Filipe Melo comentou em 29/07/2008 às 4:03 pm

    é isso ae Rafael.

    Estou me formando em Design Gráfico, e como nosso amigo la em cima falou.. perguntem o que foi a Bauhaus, ou que é gestalt, bem como conhecer referencias do Design dentro do nosso Pais.

    Saber quem foi Alexandre Wolner, Aloisio Magalhaes e etc..

    Perguntem como esses micreiros criam uma marca, ou desenvolvem conceitos e metodologias para cada arte criada.. é complicado..

    mais ainda vamos ter nosso trabalho reconhecido no nosso Brasil.

    Grande abraço.

  9. Gravatar
    alan cardoso comentou em 20/08/2008 às 9:43 pm

    Estava lendo estes artigos e me chamo atenção,pois tenho 16 anos e estou entrando nessa área, mas não sei muito bem oque esta faltando pra mim ser um bom web design. Meus professores não dão a minima, nunca falam como está o site que estou terminado e oque devo melhorar nele .Todos meus amigos viram o site que estou construindo e gostaram muito mas pra falar a verdade,não coloco muita fé neles pois eles não intendem do assunto gostaria que vocês dessem uma analisada e me falacem oque devo fazer,gostaria de um olhar profissional muito obrigado pela atenção . Aguardo a resposta. =D

Deixe seu comentário

photo Rafael Marin Bortolotto
RafaelMarin.net
rafael arroba rafaelmarin.net
Rua Antonio Rossato, 223
Caxias do Sul , RS , 95013-090 Brazil
Latitude: -29.160758, Longitude: -51.197619
+55 54 3211.3159