Design não é tudo, conteúdo é (quase) tudo
Pense que você está caminhando por aí, admirando vitrines, até que se depara com uma grande embalagem em uma loja qualquer. A embalagem é grande, design moderno, cheia de gradientes, transparências e cantos arredondados, sem falar nas etiquetas holográficas aos montes. Agora, você abre a caixa, deslizando a tampa lateral. E a grande surpresa ao abrir a caixa é reparar que dentro não há nada.
Ou ainda, que você compra o último modelo de celular, com design arrojado, em cor grafite com detalhes em aço escovado, e mais cantos arredondados. Ao ligar o celular, a mesma coisa, ele não faz nada. Nada de útil, pelo menos.
Vemos coisas assim não em exemplos absurdos como os citados, mas aqui, na Web. Você vê um site com logotipo com reflexo, alguns efeitinhos em AJAX, pensa que é Web2.0, mas o real motivo da sua visita é nulo, inválido, quando você percebe que todo os efeitinhos mascaram um conteúdo pobre.
A tal de Web 2.0
Para começo de conversa, a Web 2.0 não tem nada a ver com o design da página. Quem pensa que utilizando efeitinhos em AJAX e fundos em gradiente está na Web 2.0, meu amigo, desista dessa vida (ou simplesmente vá se informar). Sintetizando, a Web 2.0 é o foco no usuário e no conteúdo. É fazer com que o usuário acesse e interaja com o conteúdo independentemente de qualquer coisa, e que o conteúdo seja produzido conforme a necessidade do usuário.
O design da Web 2.0, com navegação em abas, gradientes, estrelas, reflexos, é apenas uma tendência que acompanha ela, e que em nada influencia na Web 2.0 em si.
Design também é importante
Embora sites esteticamente feios geralmente façam mais sucesso, ele não se deve ao design. Bom seria se site feio fosse garantia de sucesso. O que sites feios têm que chamam a atenção do internauta é a realização das necessidades dele. O Orkut por exemplo, feio como é, tem 45 milhões de pessoas cadastradas, mas aposto que ninguém se associou por considerá-lo feio.
O modelo de serviço que o site presta ao usuário é o que atrai. E o site não tem frescuras mesmo. Design grosso e pobre. Mas o internauta encontra os amigos, manda recados, conhece pessoas e para ele é isso o que importa e o que determina sua satisfação com o site.
Design, ou enfim, a imagem, é importante num site pois ela chama a atenção. É a velha história da primeira impressão, embora haja gente que não se importe muito com o design dos sites.
Conteúdo, acima de tudo
O design cumpre seu papel de chamar a atenção. Mas não é esse o objetivo do usuário. Ele quer conteúdo, acima de tudo. Por isso ele deve estar destacado no site, e não mal tratado, escondido atrás de um “rostinho bonito”. Não só na aparência, mas também na questão semântica do conteúdo e do código. O conteúdo deve estar tão acessível aos usuários “normais”, quanto ? s máquinas que varrem a Web atrás de conteúdo.
E os Web Standards
Eles entram nesse ponto da discussão. Eles ajudam a tornar o conteúdo não bonito (ou não só bonito), mas acessível. E essa palavra, “acessibilidade”, é uma das palavras-chave para o sucesso de um site na Web. Um site onde todos possam acessar, independente de plataforma, ou de ser de carne e osso ou não, tem um valor incomparável.
Ok, certo que vários sites (inclusive aqueles grandes e feios que fazem sucesso) não estão dentro dos padrões, mas os benefícios podem ser diretamente percebidos pelo site. Pense quanta banda seria economizada se o Orkut entrasse nos padrões e fizesse uma faxina geral no código. Banda essa que equivale a alguns milhões de dólares.
Entra também outra discussão, mas que não será extendida: até que ponto vale a pena fazer mudanças em um site tão grande, sendo que os usuários já estão acostumados com a interface, e até que ponto essas mudanças podem ser prejudiciais ? experiência do usuário (pelo menos no período de adaptação ? s mudanças). Como disse, isso não será discutido.
E então, design ou conteúdo?
Simples: equilíbrio. Faça um bom design, e um bom conteúdo. Utilize os padrões, eles estão aí para ajudar nessa tarefa de achar um meio termo para as coisas. Siga as tendências de design que achar conveniente, seja o design 2.0, seja o “retrô” ou qualquer outro. Desde que o conteúdo esteja lá, bem redigido, bem formatado, escancarado, acessível.


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