Categoria Web 2.0

Mar 28

Photoshop Express: Flash que presta

Eu e metade da torcida do Corinthians concordamos com veemência com a idéia de que Flash, em termos gerais, é coisa ruim. Deve haver um ótimo motivo para que o seu site seja todo feito em Flash. É um declaração aberta de que você não está nem aí para ranking nas buscas nem para o seu usuário. Mas tudo bem, este não é o assunto hoje.

A novela do Flash é longa, e provavelmente não vai ter um final tão cedo. Contudo, não se pode discordar que, com o lançamento do Flex, mídia rica passou a ter um significado mais conciso. Se há alguem que está fazendo um bom proveito disto, esse alguém é a Adobe. O Buzzword, um processador de texto de verdade (até a pouco o Google Docs era apenas um editor WYSIWYG, pessoal), utiliza a tecnologia Flex e, segundo eles, são mesmo o primeiro processador de textos baseados em Web.

E agora um sneak peek do Photoshop Express foi aberto ao público. Trata-se de uma evolução, e nós somos todos testemunhas. Ou estou enganado? Mostra mais que a ferramenta da Adobe é poderosa - que isso é fato. Mostra que a Web pode sim chegar um pouco mais perto do desktop.

A Adobe levou à Web um conjunto básico de recursos para edição de fotos on-line, tudo di grátis. A versão até agora tem pouca coisa mas já impressiona, pois mostra o poder escondido nessa plataforma.

Falo de Flash e Flex como dois irmãos muito próximos. Sim, são softwares diferentes e - teoricamente - possuem aplicações diferentes (tem gente que parece não saber disso). E não dá para dizer que Flash é um software ruim. Pelo contrário, é muito maduro e em certos propósitos (hipermídia, joguinhos, animação) é um aplicativo essencial.

Mas para a nossa Web, Flash só entra em certos casos. Flex é um exemplo de bom uso. Abertura e menu de navegação são exemplos de mau uso. Não se cria mídia rica só com XHTML e CSS. Javascript contribui e muito nesse caso, e é um bom concorrente ao ActionScript 3 do Flex, até pelo fato de JS e AS terem as mesmas raízes.

Mídia rica, ponto para você. Testem o Photoshop Express e tirem suas próprias conclusões.

Jan 06

Web 2.0: Que tipo de revolução esperamos?

Fala-se muito sobre a tal da Web 2.0, mas nem sempre tudo que corre por aí está correto. Para falar a verdade, a essência da nova Web está lá atrás, no começo da grande rede.

Muitas pessoas confundem a Web 2.0 com as tecnologias e tendências vigentes de desenvolvimento. Mas, na realidade, os serviços 2.0 são chamados assim devido a outros fatores. Antes de tentar entender o que é a Web 2.0, deve-se ter plena consciência de como foi criada e para que serve a Internet.

Um pouco de história

A Web foi criada para tornar mais fácil o compartilhamento de arquivos e informações. Tim Berners-Lee – o inventor da WWW – provavelmente não imaginava que o boom da Internet atingiria tanta gente, em todo o mundo.

Com o avanço da Web, ocorreram inúmeras mudanças na maneira com que as pessoas interagem com computadores e, ao mesmo tempo, novas tecnologias foram desenvolvidas para suprir e expandir cada vez mais todo o potencial da grande rede.

Apesar da devastadora crise no início do século XX, que levou à falência inúmeras empresas – conhecida por “estouro da bolha”, a Internet tornou-se importante tanto para o setor econômico quanto para a mídia.

Eis que Tim O’Reilly utilizou o termo Web 2.0 (no ano de 2004), conceitualizando-o desta maneira:

“Web 2.0 é a mudança para uma internet como plataforma, e um entendimento das regras para obter sucesso nesta nova plataforma. Entre outras, a regra mais importante é desenvolver aplicativos que aproveitem os efeitos de rede para se tornarem melhores quanto mais são usados pelas pessoas, aproveitando a inteligência coletiva”

A confusão

De 2004 para cá, nos tornamos testemunhas das mudanças que a Internet vêm sofrendo diariamente. Novas tecnologias, linguagens e tendências; começou-se a empregar com freqüência as Aplicações de Internet Ricas (RIA) com Flash, e depois com AJAX, com o objetivo de criar uma experiência com aplicativos Web semelhante a obtida com aplicativos desktop. Os novos serviços passaram a possuir um design típico, marcado por degradês e reflexos.

Este é o X da questão. Da confusão, aliás. O grande engano que muita gente comete é confundir estas características – amplamente aplicadas em serviços da Web 2.0 – com a Web 2.0 em si.

A essência da Web 2.0 é a mesma da Web de Tim Berners-Lee: compartilhar informações. O que muda é a maneira com que estas informações são tratadas e quem as faz. Um site não precisa ser feito em AJAX para ser 2.0, mas precisa atender uma série de critérios.

Isto é que é Web 2.0

A Web 2.0 é composta de sites que valorizam muito mais o conteúdo do que a aparência. Sim, o design é importante para um site, mas não é o mais relevante. Passamos por períodos onde os desenvolvedores preocupavam-se muito mais com a aparência do que com o conteúdo e com o código, utilizando artifícios como o spacer.gif e as tabelas para controle da apresentação da página. Os web standards vieram para resgatar a semântica do HTML, que foi perdida ao passar dos anos.

A Web 2.0 não refere-se somente ao código, mas também à qualidade do conteúdo disponibilizado e à maneira com que o usuário interage com ele. O termo Web 2.0 define a Internet como plataforma, mas o responsável pelo conteúdo é o próprio usuário.

A Web 2.0, resumindo, é uma mudança de ideologia que acarretou na mudança de tecnologia. O AJAX está em função do conteúdo, e não o contrário.

User-Generated Content (UGC)

O conteúdo gerado pelo usuário é a base dos serviços 2.0. Grandes exemplos são a Wikipedia, o Digg, e mesmo serviços como o Flickr e o MercadoLivre. Além do aumento no número de usuários de Internet, o desenvolvimento constante de novas tecnologias permitiu essa interação entre o usuário e os serviços com muito mais facilidade.

São fóruns, blogs, wikis, sites colaborativos, fotologs, e muito mais. Milhões de páginas novas a cada dia, sem depender exclusivamente de editores – o que garante diversidade de conteúdo nunca vista antes.

Folksonomia: o povo é quem dá nome aos bois

Folks significa povo. Nomia quer dizer nomear. Característica básica da Web 2.0, onde os usuários não só contribuem com conteúdo, mas também classificando a informação existente. A maneira mais popular de classificar conteúdo na Web é através de tags. As tags facilitam a indexação do conteúdo e fazem com que os mecanismos de indexação retornem pesquisas muito mais relevantes.

Jornalismo participativo

O Digg é um grande exemplo de jornalismo participativo. Milhões de usuários participam criando as notícias e então escolhendo as melhores, que aparecem na página inicial do serviço. A Web 2.0 marca a participação efetiva dos usuários, até então considerados apenas leitores, na edição e classificação do conteúdo online.

Internet como plataforma e as tecnologias

Tecnologias que permitem a comunicação assíncrona com o servidor, como o objeto XMLHttpRequest do JavaScript (que permite alterar informações em uma página sem recarregá-la), e diversos frameworks que tornam o desenvolvimento mais ágil e produtivo, têm transformado a Internet numa potencial plataforma para a execução de aplicativos.

Além disso, padrões como o XML e o RDF, especificados pela W3C, têm colaborado bastante para a troca de conteúdo entre serviços, plataformas e agentes de usuário. O RSS, padrão baseado em dialetos XML, tem ganhado muitos adeptos por levar o conteúdo diretamente ao usuário (técnica conhecida por push), sem que o usuário precise acessar o website para saber das atualizações.

Listão de serviços 2.0

Uma lista em português com os principais serviços 2.0 pode ser encontrada em http://lista2.0br.com.br. Lá você pode votar nos serviços, atribuindo uma nota de 1 a 5.

Lembre-se sempre

Por mais que a Web 2.0 marque o início da utilização de novas tecnologias, mantenha o foco do seu trabalho no conteúdo. Web 2.0 também é acessibilidade, usabilidade e código semântico.

Nov 12

Impressions on the 12nd Web Design meeting

For many reasons, I decided to write this - just this - post in English. Couldn’t it be better? Not so far. Since it’s been a while that I don’t go to my class, and in order to challenge my so-culturally-polite crowd of readers, here I am to write my impressions in a very common language that, by the way, we all should understand.

The 12nd Web Design meeting was my first experience ever with web-related events. It was so cool, and sort of rewarding, to see so many web workers togheter. I’ve been dealing so naturally with this friendship between far, far away professionals, that I didn’t realize that it could be even better and stronger on our offline lifes.

Also, I’ve been reading many books and articles on usability, interface project and W3C-compliant development that the successful cases showed by the speakers only proved to me that all the bucks I’ve been spending with books are totally worthy. The best part was to meet, face-to-face, the big professionals we have today on Brazil.

Dude, I’ve never thought that brazillian companies could invest so much in usability, neither we have so well-talented usability and IA professionals. Now I have for sure some questions that were still unanswered. I could finally realize that we can’t just follow always the same tough rules and guidelines. Design is there to be flexible, to help people to get things done.

I’m not telling that design is everything on a successful project. But it’s really important and shouldn’t be thrown away only because it doesn’t follow this or that usability guideline. Balance is the secret, I concluded. Usability tests are too. A good website must have a good IA, a well-formed code, an excelent content, a considerable ease to use and, finally, a good design. Those are all the keys you need for your company’s website. This is what I learned.

Congratulations, Arteccom. Congratulations, speakers. Congratulations, sponsors. You’ve made a memorable event on my life and on my career. Thank’s so much. And special thanks to the readers that read this.

Jul 27

AJAX é bom, mas na hora certa

Depois que a hype feita em torno do AJAX passou (será que passou mesmo?), essa modinha acabou criando mais confusão na cabeça de alguns desenvolvedores. Não que seja culpa deles, mas vêm acontecendo coisas muito similares as que aconteciam no tempo que o Flash estourou.

Sites inteiros eram - sim, continuam sendo - desenvolvidos em Flash. Indexação não importava, acessibilidade não importava. Os efeitinhos sim. Mas isso não vem ao caso. O que venho pedir agora é um pouco de bom senso no uso de AJAX. Sim, eu sei que ele faz maravilhas. Mas acredito que o AJAX tem lugar e hora para ser útil.

O que eu quero dizer com isso?

Quero dizer que AJAX pode ser tudo de bom, pode fazer maravilhas, efeitos tão mirabolantes quantos os do Flash, mas há certas ocasiões em que ele não é necessário. Um exemplo? Citá-lo-ei com prazer.

Se você tem um site com topo, menu lateral e o conteúdo, AJAX ajudará em que? Afinal, nós temos algo muito mais antigo e útil do que AJAX nesta situação: o elemento a. Se o seu site não precisa se comportar como uma aplicação Web, por que você o faria?

AJAX é ótimo quando o seu site precisa se comportar com resposta tão boa quanto a de um aplicativo desktop. Me refiro aos formulários, buscas, carrinhos de compra e por aí vai. Isso traz uma interatividade útil para o seu site, pois permite que a pessoa interaja de maneira mais rápida com o seu site.

Mas se o seu site é estático, e não possui nada que pareça ou se comporte como uma aplicação, definitivamente não precisa de AJAX. Para ligar páginas, novamente, existe o elemento a.

photo Rafael Marin Bortolotto
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