Categoria Design

Oct 06

Análise semiótica de design de embalagem - Sucrilhos Kellogg’s

Nas últimas três últimas semanas desenvolvemos um trabalho, na disciplina de Semiótica Aplicada, de análise de design de embalagens. Fomos a um hipermercado e selecionamos um gênero na gôndola que chamou nossa atenção: os flocos de milho. Compramos uma caixa da marca Sucrilhos®, fabricado pela Kellogg’s®. Achei interessante documentar este trabalho aqui, pois caso alguém venha a cursar esta disciplina em seu curso de graduação pode encontrar um exemplo.

A análise foi feita sobre a semiótica de Pierce, onde o signo é triádico, possuindo três focos de análise: significação (o signo em si mesmo), a objetivação (a referencialidade do signo) e a interpretação (reações e efeitos provocados no interpretante do signo).

Se for de algum proveito para alguém, façam-se ouvir! Sugestões, críticas e comentários também são bem vindos por aqui.

ANÁLISE SEMIÓTICA DE DESIGN DE EMBALAGEM
SUCRILHOS® KELLOGG’S®

Oct 01

O que é Gestalt e por que ela é importante para o design

Gestalt é um termo bastante presente no design, na arquitetura, nas artes e na moda, entre outros, mas muita gente desconhece. Gestalt foi, basicamente, um movimento que atuou com pesquisa e experimentação na área da teoria da forma, com estudos importantes em percepção, inteligência, memória, aprendizagem, motivação, conduta exploratória e dinâmica de grupos sociais.

Ao contrário do que se imagina, Gestalt não é o nome ou sobrenome de ninguém, é uma palavra de origem germânica. Em alemão significa puramente forma, mas nos termos gerais denota o conjunto de entidades físicas, biológicas, fisiológicas ou simbólicas que juntas formam um conceito, padrão ou configuração unificado que é maior que a soma de suas partes. Ou seja, o princípio básico da teoria gestaltista é que o inteiro é interpretado de maneira diferente que a soma de suas partes.

Hoje, usa-se as terminologias Gestalt, Gestaltismo, Psicologia da Gestalt ou ainda Psicologia da Forma, para referir-se a esta teoria sobre o fenômeno da percepção.

Nomes importantes por trás da teoria gestaltista

O precursor da psicologia da Gestalt foi o filósofo Christian Von Ehrenfels, embora muitas vezes Max Wertheimer seja creditado como fundador do movimento. Max Wertheimer, Wolfgang Köhler e Kurt Kaffka são os teóricos do início do século XX.

Os teóricos comprovaram através de experimentos que não vemos partes isoladas, mas relações. Como cita o artigo da Wikipédia, vemos uma cadeira como um objeto diferente do que apenas a soma de suas partes (encosto, pernas e assento).

Como descreve João Gomes Filho em seu livro Gestalt do Objeto: Sistema de leitura visual da forma (2004), são diversas as leis da Gestalt onde, segundo ele, foi criado o suporte sensível e racional que permite e favorece toda e qualquer articulação analítica e interpretativa da forma do objeto.

Leis da Gestalt

Há excelentes referências sobre as leis da teoria Gestaltista de percepção espalhadas pela Web e, portanto, não convém descrevê-las aqui pois, além de tudo, as referências disponíveis em alguns sites são escritas por pessoas que possuem mais propriedade do assunto.

Literatura recomendada

Gestalt do Objeto: Sistema de Leitura Visual da Forma, de João Gomes Filho, é um livro interessante que encontrei na biblioteca da onde estudo, a Universidade de Caxias do Sul. A leitura não é muito atrativa, porém todas as páginas possuem vários gráficos que ilustram cada uma das leis.

O livro dá uma boa introdução sobre o movimento e sua base teórica, além de explicar a razão de cada uma das leis. Estou ainda em estudos iniciais sobre percepção e Gestalt, e acredito que este seja um bom livro para quem esteja começando. Os exemplos que o autor coloca, ao contrário dos exemplos encontrados na Internet, são exemplos reais de aplicação da teoria Gestaltista no design, arquitetura, artes, etc.

Jul 24

Saldo de livros lidos no primeiro semestre

Eu não sou o tipo de cara que gosta de fazer review de livros. Já fiz algumas resenhas, na época que eu tinha bastante tempo durante o dia para escrever, mas acredito que encontrei uma maneira boa de compartilhar com meus leitores amigos o que eu tenho lido nos últimos tempos. Postar aqui no blog está complicado, meu dia é quase sempre tão corrido, que quando chego em casa não quero saber de blogs, e-mails nem feeds.

Estes acima são os livros que li e que quero compartilhar com você. Não encontrei maneira mais ilustrativa de mostrar vários livros ao mesmo tempo do que em uma prateleirinha que fiz no Fireworks. Fazer resenhas é algo que leva certo tempo, pois gosto também de opinar sobre os temas abordados em cada livro. Você já deve estar imaginando que as estrelinhas são um ranking da minha opinião sobre cada título, certo? Certo. Começando de cima, da esquerda para a direita. Vamos lá?

  • Projeto Gráfico, de Antônio Celso Collaro. Summus Editora
  • Elementos do Estilo Tipográfico, de Robert Bringhurst. Editora Cosacnaify
  • Digital imaging for Photographers, de Adrian Davies e Phil Fennessy. Focal Press
  • Aprenda em 14 dias Fotografia Digital, de Haydenbooks / Rose, Carla. Editora Campus
  • Tipografia Pós-moderna, por João Pedro Jacques. Editora 2AB
  • Homepage Usability: 50 websites deconstructed, de Jakob Nielsen e Marie Tahir. New Riders Press
  • The Elements of Color, de Johannes Itten. Wiley
  • Fotografia Digital sem Mistério, de Altair Hoppe. Editora Photos

Meus critérios de avaliação

Eu gosto muito de ler, e eu sinto bastante diferença entre um livro e outro. Cada autor imprime em sua obra um pouco da sua personalidade, através da maneira com que escreve. Não tenho, com absoluta certeza, autoridade para julgar ou questionar a qualidade das obras lidas. Todas elucidaram questões antes obscuras na minha cabeça, mas os livros avaliados em três e quatro estrelas não despertaram tanto interesse quanto eu imaginava. Sim, trouxeram assuntos importantes e conceituais à tona. Alguns são livros mais antigos, mas tratam daquela base teórica que raramente se altera.

Agora, os livros com cinco estrelas, são dignos de compra. Ainda não comprei nenhum dos três títulos assinalados com cinco estrelas, mas vou providenciar assim que possível. The Elements of Color, Elementos do Estilo Tipográfico e Homepage Usability: 50 Websites Deconstructed são verdadeiras bíblias de conhecimento em suas respectivas áreas, e valem releituras e até mesmo a compra, pois, além de tudo, são escritos pelos grandes gurus da Web e do design.

Estes são os livros que li, e se estão aqui nesta prateleira é por que merecem minha recomendação. São todos livros bons, mas uns são excepcionais. Vale ressaltar, claro, que é minha opinião, pessoal. Se você já leu algum dos livros e não concorda com a minha opinião, use o espaço dos comentários abaixo, ou escreva um post em seu blog e mande um trackback para cá!

Never stop reading, folks!

Jun 25

O design e o Web designer

Muita, muita gente se considera Web designer. Utilizar um software, como o Fireworks, é fácil e acessível a qualquer um, mas infelizmente, meus amigos, não torna ninguém designer. Desenho também, é uma arte incrível, mas infelizmente também não é design. Alguém de vocês já teve a curiosidade de saber o que significa a palavra design? Design, segundo nosso dicionário, significa plano, planta, pattern, designação, dar forma e boa aparência, leiautar.

Como eu estou decidido que quero seguir na carreira de designer, já estou tomando providências. Trabalho com design e, mais do que isso, estudo design. Só acho ridículo - e confesso com vergonha que já fui assim - que muitos que se dizem designers não estudam e não se interessam pelo estudo do design e da arte.

A ferramenta não faz o designer

Você pode ser o ninja do Photoshop, saber tudo de Fireworks e Flash. Mas nada disso é válido se você não souber como utilizar essas ferramentas para tornar o seu design efetivo.

Design é função

É isso o que difere design de arte. Você faz um trabalho de arte, e ele pode ser tão subjetivo, tão abstrato, que ninguém pode entendê-lo. Seu design não pode ser assim. E arte só é design quando esta arte for aplicada. Você deve fazer com que o seu design - ou melhor, a mensagem que você quer passar - seja compreendido pelo seu público-alvo, pelo seu consumidor. Você faz design para vender seu produto ou idéia, não pela simples expressão do seu eu interior. O design Web possui técnicas que, quando bem dominadas, tornam seu serviço, site ou campanha na Web realmente funcional.

Claro, existe uma liberdade gigante na criação, e prova disso é a enorme variedade de peças distribuídas no mundo, mas perceba que os projetos de sucesso seguem algumas orientações básicas, entre elas o alinhamento racional, a escolha da boa tipografia e a harmonia de cores.

Web 2.0: uma nova abordagem ao design na Web

Por muitos anos, a abordagem que vigorou pelos então designers de Web foi o design centrado na utilização, na tarefa. Nesta abordagem, todo o design era focado nos objetivos e tarefas que envolviam um produto ou serviço on-line, sem preocupações com o que o usuário realmente precisava e conseguia utilizar. Com o estouro da bolha uma nova tendência se fortaleceu, e os novos serviços - chamados “2.0″ - seguiam (e ainda vêm seguindo) a abordagem do design centrado no usuário (UCD), que se preocupa diretamente com as limitações e capacidades do usuário final.

O design centrado no usuário foi um marco para o design da Web por dar o merecido valor ao usuário final. Nesta abordagem de design, os designers de Web não apenas projetam interfaces de acordo com o que consideram melhor para o usuário final, mas testam e avaliam a efetiva funcionalidade de suas telas. Isto ocorre pois os designers possuem experiências que divergem das do usuário final, o que influencia também na maneira com que fazem design para Web. Assim, o que é simples e intuitivo para eles pode não ser para o grande público.

São quatro os elementos principais do design centrado no usuário: visibilidade, acessibilidade, legibilidade e linguagem.

Visibilidade

A visibilidade ajuda o usuário a construir um modelo mental. O modelo mental ajuda o usuário a formar uma imagem sobre o funcionamento do seu serviço, e também prever os efeitos das suas ações. Eu já escrevi sobre isso. Seu site deve ter navegação clara, e o usuário deve saber exatamente onde está, para onde pode ir e por onde já passou.

Acessibilidade

Não são apenas os cegos e pessoas com dificuldades motoras que são o alvo da acessibilidade de um site. No design de interação, todos os usuário possuem suas particularidades e são, pois alvo da acessibilidade. Cada usuário possui - devido às experiências anteriores - um modelo mental de como sites geralmente funcionam. Esperam um logo no canto superior, navegação logo abaixo ou em barra lateral, e busca no canto superior direito.

Quando algum desses itens não está presente, o usuário pode se sentir desorientado. Assim, um projeto de design na Web, geralmente na forma de um site, deve manter sempre claras e visíveis as informações básicas que o usuário deve ter. Além disso, o conteúdo deve ser escrito de maneira a tornar fácil a leitura e escaneamento do texto, pois o usuário provavelmente não lerá o conteúdo todo para encontrar o que precisa.

Legibilidade

Nunca esqueça que o usuário está em seu site em busca de conteúdo, e que geralmente este se encontra em forma de texto. Tornar esse texto legível e escaneável, então, é o mínimo que você pode fazer. Lembre-se de dar preferência às fontes sem serifas, que são mais legíveis em monitores do que as serifadas, pois a resolução dos monitores é muito inferior à dos livros impressos. Além disso, a relação das cores do texto com a cor do fundo é importante para a legibilidade, pois se o texto for pouco contrastante fica difícil a leitura.

Linguagens

Algo que está escrito em todos os livros de usabilidade que já li: use terminologias comuns, não específicas e nem aquelas que fazem sentido apenas a um grupo específico. Ou seja, “marketês” pode não fazer sentido para a grande maioria. Além disso, se a sua empresa utiliza nomenclaturas internas (jargões) para produtos e seções do site que diferem do vocabulário esperado pelo usuário, pense novamente.

Por onde começo?

Resumindo: para ser um Web designer, você precisa estudar design. Se não souber nada de tipografia, teoria de cores, alinhamento e posicionamento, semiótica, estética e comportamento humano, você não está nem perto de ser um designer, quem dirá um Web designer. Li esses dias no Plurk alguém que disse “ainda bem que escolhi design, assim não preciso ler tanto”.

Muito pelo contrário, meus colegas. Leitura é essencial em qualquer área, o conhecimento é muito, e livros são uma ótima maneira de adquiri-lo. Se você freqüenta uma universidade, sua biblioteca deve ter bons títulos sobre o assunto.

Conclusão

As ferramentas não fazem um bom designer, e um Web designer não é um Web designer se não souber a teoria básica sobre design. Vejo que falta em muita gente a vontade de estudar e aprender design. Talento é importante e conta, mas se você tem talento e não possui técnica e teoria, você é uma pedra preciosa não lapidada. Estude, estude e estude, e você brilhará.

photo Rafael Marin Bortolotto
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