Arquivo August de 2008

Aug 11

É o seu ambiente de trabalho que faz você crescer?

Cem por cento dos nerds - ou quase isso - querem trabalhar no Google. A empresa revigorou o conceito de ambiente corporativo, modelando um estilo de vida. O ambiente descontraído de startup que o Google proporciona aos seus funcionários é deveras atraente, e objeto de desejo de muitos de nós. Convém salientar que isso trouxe grande impacto, ora benéfico, pois influenciou também na organização de outras companhias.

A minha opinião, sempre pessoal, contudo, me fez indagar bastante e ver um grande ponto negativo nessa história. Qual é o verdadeiro agente que acarreta o crescimento profissional? Seriam as paredes coloridas, os M&M’s transbordando grandes tubos de acrílico, as cestas de basquete in-house e o XBOX360 com a televisão de alta definição?

Não me entendam mal, o Google faz produtos incríveis, possui uma filosofia incrível, até por que eu acredito que o Google foi o divisor de águas da Internet.

Mas voltando ao assunto, sonhar é humano, natural e saudável. Otimismo também é sempre importante, mas paremos por um instante, e vamos refletir sobre a realidade. Posso afirmar com absoluta propriedade: clientes não faltam, faltam os bons profissionais. Mas, onde estão esses profissionais? Estariam eles esperando uma chance de ter uma vaga em Mountain View, um carro importado e uma mansão com piscina?

Existe algo, que se chama sonho, e aí está apenas um processo incubatório. Destacar-se-á aquele que, partindo de um sonho, estabelece uma meta, vira noites sem dormir, trabalha aos fins de semana se preciso, vence os espinhos talvez não com total presunção, mas com superação e aprendizagem. E, ao desprender-se da presunção, compartilha seu conhecimento com o mundo, sem medo de que alguém possa tomar o seu lugar.

Alguma mente alheia já parou para pensar que nós também somos responsáveis pelo nosso ambiente de trabalho? Coolness não é status restrito ao Google, minha gente. Nossos relacionamentos, a maneira como vemos o trabalho, nosso amor ao ofício, preparação, prioridades. Tudo isso é parte importante e fundamental ao ambiente de trabalho “2.0″. Amor à camisa, ao trabalho da equipe, à simplicidade e ao usuário. É isso que move o Google. E não o refrigerante grátis.

Admiro muitas empresas, que fazem um magnífico trabalho de design. Mas elas, até hoje, não me trouxeram tudo que eu aprendi, pragmaticamente, onde eu trabalho hoje. Essa convivência, essa aprendizagem apenas por dividir a mesma sala, as grandes empresas gringas não me trouxeram. São uma meta para o meu futuro, mas antes, com pés no chão, dou valor e reconhecimento ao lugar e às pessoas que me ajudam a ser um profissional melhor.

Eu também sonho, faço planos, traço metas e tenho minhas aspirações e pretensões. Mas não tiro o pé do chão até ter certeza de pisar em terreno firme. E é isso que alguns profissionais, erroneamente, fazem no Brasil. Pés pelas mãos, sonhar além da sua capacidade de estabelecer objetivos e cumpri-los, isso é ruim.

Estou começando minha carreira, quero continuar valorizando cada empresa que me acolhe, e tudo assim tem dado certo para mim. As oportunidades têm aparecido sem que eu precise correr atrás delas. Sem afobação, apenas com disciplina, e construindo meu crescimento sem depender de amenidades.

Se este artigo merece algum comentário, não sei. Mas essa é minha contribuição para amenizar minha própria ignorância. Ainda sou bastante jovem, talvez imaturo para falar sobre o que falei, mas reflito um bocado sobre o que ocorre dentro de mim, ao redor de mim e ao redor de onde eu vivo. Isso é importante para mim, pois se não escrevo para vocês, escrevo para mim, para me fazer pensar.

photo Rafael Marin Bortolotto
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