O design e o Web designer
Muita, muita gente se considera Web designer. Utilizar um software, como o Fireworks, é fácil e acessível a qualquer um, mas infelizmente, meus amigos, não torna ninguém designer. Desenho também, é uma arte incrível, mas infelizmente também não é design. Alguém de vocês já teve a curiosidade de saber o que significa a palavra design? Design, segundo nosso dicionário, significa plano, planta, pattern, designação, dar forma e boa aparência, leiautar.
Como eu estou decidido que quero seguir na carreira de designer, já estou tomando providências. Trabalho com design e, mais do que isso, estudo design. Só acho ridículo - e confesso com vergonha que já fui assim - que muitos que se dizem designers não estudam e não se interessam pelo estudo do design e da arte.
A ferramenta não faz o designer
Você pode ser o ninja do Photoshop, saber tudo de Fireworks e Flash. Mas nada disso é válido se você não souber como utilizar essas ferramentas para tornar o seu design efetivo.
Design é função
É isso o que difere design de arte. Você faz um trabalho de arte, e ele pode ser tão subjetivo, tão abstrato, que ninguém pode entendê-lo. Seu design não pode ser assim. E arte só é design quando esta arte for aplicada. Você deve fazer com que o seu design - ou melhor, a mensagem que você quer passar - seja compreendido pelo seu público-alvo, pelo seu consumidor. Você faz design para vender seu produto ou idéia, não pela simples expressão do seu eu interior. O design Web possui técnicas que, quando bem dominadas, tornam seu serviço, site ou campanha na Web realmente funcional.
Claro, existe uma liberdade gigante na criação, e prova disso é a enorme variedade de peças distribuídas no mundo, mas perceba que os projetos de sucesso seguem algumas orientações básicas, entre elas o alinhamento racional, a escolha da boa tipografia e a harmonia de cores.
Web 2.0: uma nova abordagem ao design na Web
Por muitos anos, a abordagem que vigorou pelos então designers de Web foi o design centrado na utilização, na tarefa. Nesta abordagem, todo o design era focado nos objetivos e tarefas que envolviam um produto ou serviço on-line, sem preocupações com o que o usuário realmente precisava e conseguia utilizar. Com o estouro da bolha uma nova tendência se fortaleceu, e os novos serviços - chamados “2.0″ - seguiam (e ainda vêm seguindo) a abordagem do design centrado no usuário (UCD), que se preocupa diretamente com as limitações e capacidades do usuário final.
O design centrado no usuário foi um marco para o design da Web por dar o merecido valor ao usuário final. Nesta abordagem de design, os designers de Web não apenas projetam interfaces de acordo com o que consideram melhor para o usuário final, mas testam e avaliam a efetiva funcionalidade de suas telas. Isto ocorre pois os designers possuem experiências que divergem das do usuário final, o que influencia também na maneira com que fazem design para Web. Assim, o que é simples e intuitivo para eles pode não ser para o grande público.
São quatro os elementos principais do design centrado no usuário: visibilidade, acessibilidade, legibilidade e linguagem.
Visibilidade
A visibilidade ajuda o usuário a construir um modelo mental. O modelo mental ajuda o usuário a formar uma imagem sobre o funcionamento do seu serviço, e também prever os efeitos das suas ações. Eu já escrevi sobre isso. Seu site deve ter navegação clara, e o usuário deve saber exatamente onde está, para onde pode ir e por onde já passou.
Acessibilidade
Não são apenas os cegos e pessoas com dificuldades motoras que são o alvo da acessibilidade de um site. No design de interação, todos os usuário possuem suas particularidades e são, pois alvo da acessibilidade. Cada usuário possui - devido às experiências anteriores - um modelo mental de como sites geralmente funcionam. Esperam um logo no canto superior, navegação logo abaixo ou em barra lateral, e busca no canto superior direito.
Quando algum desses itens não está presente, o usuário pode se sentir desorientado. Assim, um projeto de design na Web, geralmente na forma de um site, deve manter sempre claras e visíveis as informações básicas que o usuário deve ter. Além disso, o conteúdo deve ser escrito de maneira a tornar fácil a leitura e escaneamento do texto, pois o usuário provavelmente não lerá o conteúdo todo para encontrar o que precisa.
Legibilidade
Nunca esqueça que o usuário está em seu site em busca de conteúdo, e que geralmente este se encontra em forma de texto. Tornar esse texto legível e escaneável, então, é o mínimo que você pode fazer. Lembre-se de dar preferência às fontes sem serifas, que são mais legíveis em monitores do que as serifadas, pois a resolução dos monitores é muito inferior à dos livros impressos. Além disso, a relação das cores do texto com a cor do fundo é importante para a legibilidade, pois se o texto for pouco contrastante fica difícil a leitura.
Linguagens
Algo que está escrito em todos os livros de usabilidade que já li: use terminologias comuns, não específicas e nem aquelas que fazem sentido apenas a um grupo específico. Ou seja, “marketês” pode não fazer sentido para a grande maioria. Além disso, se a sua empresa utiliza nomenclaturas internas (jargões) para produtos e seções do site que diferem do vocabulário esperado pelo usuário, pense novamente.
Por onde começo?
Resumindo: para ser um Web designer, você precisa estudar design. Se não souber nada de tipografia, teoria de cores, alinhamento e posicionamento, semiótica, estética e comportamento humano, você não está nem perto de ser um designer, quem dirá um Web designer. Li esses dias no Plurk alguém que disse “ainda bem que escolhi design, assim não preciso ler tanto”.
Muito pelo contrário, meus colegas. Leitura é essencial em qualquer área, o conhecimento é muito, e livros são uma ótima maneira de adquiri-lo. Se você freqüenta uma universidade, sua biblioteca deve ter bons títulos sobre o assunto.
Conclusão
As ferramentas não fazem um bom designer, e um Web designer não é um Web designer se não souber a teoria básica sobre design. Vejo que falta em muita gente a vontade de estudar e aprender design. Talento é importante e conta, mas se você tem talento e não possui técnica e teoria, você é uma pedra preciosa não lapidada. Estude, estude e estude, e você brilhará.




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