Arquivo May de 2007

May 31

Era só o que faltava

Pode parecer um absurdo, mas a grande maioria dos internautas brasileiros nunca ouviu falar em feeds. E provavelmente nunca teriam ouvido falar se não fosse uma grande iniciativa do Orkut. Para quem não tem conta lá, sai a bomba: agora o Orkut também lê seus feeds.

Opção de assinar feeds dentro do Orkut

Faltava um grande meio para tornar a popularização do padrão efetiva. Sejamos francos, com exceção de desenvolvedores standardistas e alguns outros profissionais que trabalham com tecnologia, quantos mais profissionais têm o hábito de assinar e ler feeds? Quantos médicos, advogados, comerciantes, tem sua conta no Bloglines ou Google Reader?

A questão do público ignorante

Uns por aí dizem que o povo do Orkut é burro, que Orkut é coisa de brasileiro ignorante. Caso tal hipótese se confirme, a integração do serviço com feeds não dar em nada, mesmo. Algumas hipóteses podem dizer que “se o usuário tem conta no Orkut, provavelmente sua ignorância é tamanha que o impedirá de descobrir mais sobre feeds, quem dirá assiná-los”.

Sei não; se o Orkut pode ser considerado um reflexo da sociedade - OK, nem tanto assim - o seu público é gente de todo tipo: branco, preto, amarelo, azul, burro, inteligente, médico, vendedor, desenvolvedor Web.

Que foi uma boa iniciativa, não se pode negar. Uma maneira eficiente de divulgar o padrão para, no mínimo, cinquenta milhões de pessoas. Só falta saber se a “ignorância” dos usuários do serviço os impedirá de aproveitar esse recurso.

May 25

O que houve de errado?

Em 1994 iniciava-se a saga do CSS. Ao mesmo tempo uma solução e um problema. Conflitos de implementação por parte dos browsers tornam o CSS, apesar da maneira mais correta que conhecemos de formatar visualmente o conteúdo, uma dor de cabeça para os desenvolvedores.

Como é desgastante ter que refazer partes do CSS - ou mesmo todo ele novamente - para torná-los iguais visualmente. Fora os hacks, conditional comments e todas as outras gambiarras existentes. Para quem está iniciando, deparar-se com um site que é renderizado de uma maneira num browser e de outra em outro browser pode ser tão desanimador a ponto de levá-lo aos velhos métodos de desenvolvimento.

Falamos em novas especicações, como a do CSS3 mas, é essa a prioridade atual? Quem sabe não seria melhor se nos preocupássemos com efetivar o que já existe, ou seja, fazer com que o CSS2.1 funcione corretamente em todos os browsers?

O problema começa na própria W3C. Por lá as coisas são muito - mas muito mesmo - lentas. Para você ter uma idéia, o rascunho da especificação CSS3 data de 23 de maio de, vejam, 2001. Tempo pra caramba, não acham? Quanta coisa já mudou de lá pra cá e continuamos empacados.

OK, existem problemas técnicos envolvidos que não podem ser evitados, como incompatibilidades, bugs nos browsers, etc. Mas o centro de tanta demora parece ser a “politicagem” existente na W3C: discussões com argumentos antigos, prioridades concedidas ? s áreas erradas, empresas envolvidas visando apenas os seus interesses.

Seria melhor se as ferramentas planejadas para a nova especificação do CSS fossem mais simples, e atendessem realmente as necessidades atuais dos desenvolvedores - e não as de 5 ou 10 anos. Talvez seja a hora ideal para um CSS2.2, sem tantos novos recursos, mas com aqueles que nós realmente precisamos; deixando um pouco de lado aqueles que precisaremos daqui a muito tempo. Temos que esquecer de projetos para o CSS do futuro, principalmente quando o atual é mal interpretado e mal renderizado (por alguns “browsers”).

May 24

Dez dicas para melhorar a usabilidade do seu site

O objetivo da usabilidade é fazer com que o usuário consiga executar a tarefa que deseja intuitivamente, no menor tempo possível e com um número mínimo de erros. Aplicar os princípios de usabilidade em um site é importante, pois faz diferença entre o usuário executar uma tarefa com sucesso ou ficar bastante frustrado.

Seguem abaixo 10 dicas que podem fazer a diferença e que melhorarão ainda mais a usabilidade do seu site:

Tenha a consciência de que os usuários não sabem nada sobre o site, nem sobre você

O seu site pode ser o melhor da parada, mas tenha certeza de que os visitantes não voltarão se tiverem que decifrar termos complicados e links confusos.

Trate bem os seus links

Eu até escrevi um artigo que fala um pouco sobre a importância dos links para a navegação e usabilidade.

“Ocultar os links no meio dos textos é uma prática bastante comum hoje. Mas empregar a mesma formatação, sem distinguí-los do texto puro, torna-os transparentes: é como se eles nem estivessem lá. Por isso, troque as cores, as fontes, os tamanhos, whatever, mas torne-os diferentes, chamativos. Links estão lá para serem clicados, então eles devem aparecer.”

Somente force os usuários a se registrarem quando necessário

Este é importantíssimo em lojas virtuais. Ofereça a tela de login e registro apenas quando o usuário estiver prestes a concluir alguma operação - como finalização da compra, por exemplo. Antes disto, permita que o cliente possa fazer suas compras sem necessidade de login. Em sites de conteúdo e serviços, deixe uma amostra, um “preview” para que o visitante só assine o conteúdo ou contrate o serviço após experimentá-lo.

Não se esconda!

Este também, importantíssimo! Se você vende algum produto, ou precisa de feedback a respeito do conteúdo do site, não esconda suas informações de contato deixe-as visíveis - leia-se: escancaradas, na tela.

Não radicalize a navegação só para ser diferente dos demais

Mantenha os seus menus navegáveis, seguindo as práticas comuns. Se a intenção é a de “modernizar”, o moderno é o simples. Para a acessibilidade, mantenha os menus acessíveis. Nada de utilizar tecnologias que impeçam a navegação por pessoas incapacitadas ou robots.

Páginas magrinhas, páginas saudáveis

Mantenha suas páginas leves! Não entupa as páginas com gráficos e animações desnecessárias.

Página inicial: a porta de entrada

Você já sabe que a página inicial é a ponte para o resto do site. Então, ela deve destacar as principais atividades do site, e possuir links para, pelo menos, as seções primárias na hierarquia do site. Você já deve ter reparado que geralmente elas são diferentes das páginas internas. Pois é assim que deve ser feito: não deixe-a ficar parecida com as páginas internas.

Não esconda a busca

Se o site possui busca - que aliás é importantíssima - coloque pelo menos um formulário por página. Caso a busca possua limitações, informe-as ao usuário. Não coloque dois formulários de busca em uma mesma página (por exemplo, uma para artigos e outra para fotos).

Texto claro, acima de tudo

Mantenha o seu texto sempre claro e objetivo. Na medida do possível, curto também. Utilize os elementos do (X)HTML, parágrafos, listas, marcadores; eles estão aí pra isso! Caso não seja um site técnico, procure não utilizar jargões específicos da sua área, mas se for necessário, inclua uma breve descrição (em forma de glossário, ou então como preferir).

Teste a usabilidade do seu site

Observe a navegação de alguns usuários, ou então solicite um feedback caso encontrem algum erro ou problema. Se nessa observação muitas pessoas enfrentarem os mesmos problemas, será a hora de revisá-los.

May 18

Do you speak English?

E ai daquele desenvolvedor que responder não.

Que o inglês é a língua universal, todos já sabemos. Que tem muito desenvolvedor por aí que ainda não fala inglês, sabemos mais ainda. Falar - ou pelo menos entender - inglês é essencial para um bom currículo, para os web standards, para toda a sua carreira e até para assistir aquele filmaço sem precisar aturar as dublagens toscas e concentrar-se nas legendas.

Estar apto a comunicar-se em inglês já é meio caminho andado para que uma série de portas se abram. A outra metade do caminho cabe a sua competência, e a maneira com que você administra suas oportunidades. Mas isso é tema para outro artigo; voltemos então ao assunto.

Os sobrinhos espalhados mundo afora talvez nem sintam tanta falta. Temos programinhas fáceis que fazem tudo em um clique. Temos sites brasileiros que disponibilizam milhares de templates grátis, e assim vai. Ah, e temos blogueiros super caridosos que traduzem artigos. Estou chegando a conclusão de que nós próprios, blogueiros e editores de sites, criamos este costume no desenvolvedor.

Entregamos artigos, os guias de referência e especificações da W3C, tutoriais e mais tutoriais. Tudo no idioma tupiniquim. E junto alimentamos ainda mais o “sedentarismo lingüístico” de quem lê. Inglês é tudo - ou quase tudo - hoje em dia. Muito do que eu aprendo vem de fora do Brasil. E muito do que você aprende também deveria vir de fora.

Não que não tenhamos bons escritores e boas referências no assunto, mas tanto esse hábito quanto o da leitura devem ser estimulados intensivamente, começando por nós blogueiros.

E, depois de tudo, chego a seguinte conclusão: Perhaps, we should start writing in English as well.

photo Rafael Marin Bortolotto
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