Arquivo March de 2007

Mar 31

Blogosfera de luto por Aldemir Silva

Março encerra-se com uma triste notícia: Aldemir Silva, infelizmente nos deixa. Pouco acompanhei o trabalho dele no blog, mas o que me motiva a escrever é a união da blogosfera em torno desta causa. Pude ver como ele foi um bom blogueiro e, acima de tudo, uma boa pessoa.

Lendo os comentários deixados no seu blog, não demoro a concluir que ele foi querido por todos, e que agora todos sentem sua falta. Esperamos que Deus o guie daqui em diante, e que, por mais distante que esteja fisicamente, a sua lembrança ficará guardada nos corações de todos. Sabemos que Aldemir está num lugar melhor, olhando para todos nós, conhecidos e admiradores.

Aldemir sofreu com problemas hepáticos e, infelizmente, a oferta de fígados para transplante é escassa. No início de 2006, eram 6500 pessoas esperando por um fígado, sendo que os transplantes só conseguem dar conta de 15% deste número*.

A blogosfera está solidária, e mostra realmente o seu valor quando se depara com momentos difíceis. Neles nós conseguimos ser mais fortes. Que Aldemir esteja lá em cima, ao lado do Senhor, olhando por todos nós.

*Fonte: CMI (http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2006/01/342511.shtml)

Mar 30

Ainda sobre a freqüência de publicação

Já li sobre freqüência de publicação em muuuitos blogs e fiquei pensando um pouco sobre isso. Acho que a série de posts pela blogsfera afora começou lá no André Valongueiro, quando publicou Leitores e blogueiros: é realmente necessário atualizar diariamente?.

Ele cita um exemplo prático que também ocorre comigo:

Comprovei empiricamente que quando um excelente blog publica novidades a cada 2 ou 3 dias as chances de que eu leia esse novo post crescem bastante. Um exemplo: o BlogTalk, da Cristiana Soares. Não tem erro, quando a atualização é exibida no leitor de feeds o clique e a leitura são quase automáticos.

Já os blogs que são atualizados diariamente, ou até mesmo mais de uma vez por dia, “sofrem” com a minha pouca freqüência de leitura. Chego a pensar se o excesso de atualizações não torna o conteúdo menos relevante e atrativo.

Concordo plenamente, como leitor. Os melhores blogs que eu leio têm publicação não tão constante, do tipo 1 post a cada 3 dias. Levando-se em consideração que o meu dia não é inteiramente reservado ? leitura de feeds, e que possuo em torno de 80 feeds, ler integralmente sites com muitas atualizações diárias fica complicado

Os blogs deste gênero geralmente são voltados ? s notícias, ou publicam apenas pequenos - mas vários - posts. O problema disso tudo é que produzir tanta coisa em tão pouco tempo acaba, geralmente, comprometendo a qualidade do conteúdo.

Como não sou - e não tenho intenção de me tornar - um problogger, minha preocupação com estatísticas não é tão grande; pois não dependo financeiramente disto. E pelas mesmas razões que citei anteriormente, acredito que os probloggers não devam publicar excessivamente. Um post diário e bem escrito, na minha opinião, já vale o dia. Ou até dois, vá lá! Mas, como eu disse antes, não temos o dia inteiro para ler feeds. Sendo assim, ler muitos posts de um único blog fica complicado.

A minha freqüência não é nada rígida, eu vou por aquela da “inspiração”. Quando tenho, sai um post; quando não tenho, não sai. Eu ainda não tenho um grande número de visitantes fiéis (os assinantes dos feeds), mas vejo ? s vezes (e mesmo em outros blogs), que a publicação que é feita a cada 2 ou 3 dias deixa um espaço para a discussão do assunto.

Quando a publicação é muito freqüente (muitas vezes ao dia), os posts vão se “atropelando” e os bons artigos geralmente vão ficando para trás, sem tempo para que os usuários comentem, discutam e troquem idéias com o autor.

Mas, independente da minha opinião, cada autor deve ter os seus próprios critérios para determinar essa periodicidade, sejam eles a inspiração, a disponibilidade, ou no caso dos blogueiros profissionais, o dinheiro (ou a falta dele).

Mar 28

O que você vê, o que você quer dizer

Já dizia minha avó que os CMS’s não se dão muito bem com os desenvolvedores dentro dos padrões. Como todos nós bem sabemos, isto se deve a presença dos editores WYSIWYG (O que você vê é o que você obtém). É característica vital da maioria deles a geração de um código poluído, confuso e nada semântico.

Muitas vezes não adianta entregar o site 100% compliant e o cliente próprio atualizar o site com o editor que você instalou, e o cliente atualizar sem se importar com o código, fazendo o trabalho ir por água abaixo. Uma solução seria ensinar o cliente a utilizar códigos como BBCode dos fóruns e o Markdown da Wikipedia. Nem pensar, não é?

Neste cenário está se difundindo um editor, o WYMeditor, que segue uma linha conhecida por WYSIWYM (O que você vê é o que você quer dizer). É um editor que se preocupa com a clareza e semântica do código, se concentrando na estruturação do código, e não na sua formatação. O usuário do editor determina apenas parágrafos, links, headings, imagens, ênfases, e tudo o que se refere ? estruturação do código. Nada de cores, fontes e tamanhos. Quem se encarrega disso são as folhas de estilo do site.

Há um demo on-line para quem quiser experimentá-lo. E ele é bastante extensível. É feito com JavaScript simples, suporta skins, é fácil de integrar e é GRÁTIS e OPEN SOURCE.

Ainda há muito para ser feito, mas como ele está ainda no início, muitas atualizações estão por vir. Sugiro a todos que experimentem!

Update: Aproveite também para conhecer outros dois projetos, o WYMstyle, um framework de CSS que pode ajudar no desenvolvimento rápido de layouts (pois é um conjunto de CSSs modulares), e o WYMsite, um CMS 100% compliant (XHTML Strict), feito em PHP 5, URLs amigáveis nativas, com dados baseados em XML, leve e extensível.
Não vou deixar minha opinião sobre estes ainda, pois não fiz grandes testes.

Mar 24

O medo dos padrões

Para muitos, começar a desenvolver dentro dos padrões é uma decisão difícil. E é mesmo. A troca pelos padrões não é simplesmente uma troca de tecnologia, de linguagem: é uma troca na maneira de pensar.

Pensar dentro dos padrões é focalizar o desenvolvimento no conteúdo, é priorizar tanto a qualidade do conteúdo quanto a sua acessibilidade. Trocar para os padrões exige estudo e dedicação, pois requer basicamente uma renovação do conhecimento sobre HTML, que é encoberto erroneamente pelo desenvolvimento em editores visuais.

Em geral, os padrões não são (só) sobre Linux, Firefox, Opera e navegadores de modo texto. Web standards são para todas as plataformas, sem exceções. O objetivo da criação de padrões é o de estabelecer e consolidar esta exibição do conteúdo independentemente da plataforma. Envolve a criação de sites que rodam tanto no Linux quanto no Windows, mas que também rodam no Mac. E claro, sem falar dos dispositivos portáteis.

Confesso que também tive medo de começar a desenvolver nos padrões. No início era uma peleia diária, pois nunca havia usado o HTML de maneira tão intensa, e mais ainda o CSS. Já o conhecia e o utilizava antes, mas o que me prendia sempre era a criação com tabelas e spacer.gif.

A criação dentro dos padrões não compreende apenas o abandono das tabelas aninhadas para controle do layout. Envolve o emprego de um código semântico, de um desenvolvimento em camadas, de um conteúdo valorizado e acessível. Layout? Longe do HTML, longe do conteúdo, layout só com CSS.

Hoje já é mais fácil se adequar nos padrões do que quando eu comecei, e cá estou aqui, aprendendo mais a cada dia. Existem muitas referências espalhadas pela web, mesmo em português, que facilitam muito a vida do iniciante.

Como tudo na vida, obstáculos existem e exigem dedicação e perseverança. Para quem está começando com padrões web, vocês não sabem o que estão perdendo. Toda aquela história de desenvolvimento melhor e mais rápido que se houve falar por aí é verdade. Esta mudança traz benefícios que só serão descobertos após a conversão para os padrões.

Vale a pena experimentar,

Boa sorte!

photo Rafael Marin Bortolotto
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